domingo, 18 de dezembro de 2011

A cantora cabo-verdiana Cesária Évora morreu, aos 70 anos, no Hospital Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, Cabo Verde


A cantora cabo-verdiana Cesária Évora morreu, aos 70 anos, no Hospital Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, Cabo Verde, por “insuficiência cardio-respiratória aguda e tensão cardíaca elevada”.
A “diva dos pés descalços”, como a imprensa se referiu muitas vezes a Cesária Évora, nasceu há 70 anos na cidade do Mindelo, na ilha cabo-verdiana de S. Vicente, no seio de uma família de músicos.
Numa das muitas entrevistas que deu, certa vez afirmou: “Tudo à minha volta era música”.
O pai, Justiniano da Cruz, tocava cavaquinho, violão e violino, instrumentos que se tornaram característicos daquelas ilhas, o irmão, Lela, saxofone, e entre os amigos contava-se o mais emblemático compositor cabo-verdiano, B. Leza.Cize, como era carinhosamente tratada pelos amigos, tornou-se no nome mais internacional de Cabo Verde, país de onde o mundo conhecia já grandes músicos como Luís Morais e Bana.
Desde cedo que Cesária Évora se lembrava de cantar, como referiu numa das muitas entrevistas que deu: “Cantava ao ar livre, nas praças da cidade, para afastar coisas tristes”. Aos 16 anos, canta nos bares da cidade e nos hotéis, começando a ganhar uma legião de fãs que a aclamavam já como “rainha da morna”.
A independência da nação africana, em 1975, coincide com o início de um “período negro” da cantora, que deixa de cantar, tem problemas com o alcoolismo e trabalha noutra área.Em 1985, a convite de Bana, proprietário de um restaurante e uma discoteca com música ao vivo em Lisboa, Cize vem a Lisboa e grava um disco que passou despercebido à crítica, seguindo para Paris onde é “descoberta” e daqui, como aconteceu com outros cantores, partiu para os palcos do mundo.
Em 1988, grava “La diva aux pied nus”, álbum aclamado pela crítica. Nesta fase da sua carreira, tem um papel fundamental, que se manteve até ao final, o empresário francês José da Silva.Em 1992, Cesária Évora gravou “Miss Perfumado” e aos 47 anos torna-se uma “estrela” internacional no mundo da world music, fazendo parcerias com importantes músicos e pisando os mais prestigiados palcos.Uma carreira internacional que passou várias vezes por palcos portugueses cujas salas esgotavam para ouvir, entre outros êxitos, “Sôdade”.Em 2004, recebeu um Grammy para o Melhor Álbum de world music contemporânea, pelo disco “Voz d’Amor”. Cize não pára e continua em sucessivas digressões, regressando de quando em vez à sua terra natal.“Eu preciso de quando vez da minha da terra, do povo que sou e desde marulhar das ondas”, confidenciou certa vez à Lusa.
A cantora começa a enfrentar vários problemas de saúde e alguns “sustos”, como afirmava, mas regressava sempre aos palcos e aos estúdios com alegria.Em 2009, o Presidente francês Nicolas Sarkozy entrega-lhe a medalha da Legião de Honra, depois de uma intervenção cirúrgica que a levou a temer pela vida.Cesária voltou aos estúdios e anunciou não só uma digressão, como a gravação de um novo disco, que deveria sair no próximo ano.
No dia 24 de Setembro, numa entrevista ao Le Monde, a cantora afirma que tem de terminar a carreira por conselho médico. A sua promotora, Tumbao, emite um comunicado confirmando as declarações da “diva dos pés descalços” e dando conta da tristeza que sentia por ter de o fazer.Nesse mesmo dia, ao princípio da tarde, a cantora é internada no hospital parisiense de Pitie-Salpetriere, por ter sofrido mais um acidente vascular cerebral (AVC). A Tumbao emitiu nesse mesmo dia um comunicado, dando conta de que o diagnóstico clínico da mais internacional artista cabo-verdiana era “reservado”.Aos 70 anos, completados no passado 27 de Agosto, e após uma curta visita a Lisboa, onde pediu para passear a pé pelo bairro de São Bento, Cesária Évora morreu em Cabo Verde.Ao longo da carreira, além das inúmeras digressões e actuações em televisões, gravou 24 álbuns, um DVD, “Live in Paris”, e registou dezenas de colaborações em discos.

"A Cesária levou-nos de uma parte do mundo para a outra"


Reacções: "Um artista nunca morre" 17.12.2011 - 17:12 Por Rita SizaVotar | em Cultura« Tito Paris: "A Cesária levou-nos de uma parte do mundo para a outra" (Daniel Rocha)João Branco, director do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo"A primeira vez que chorei em Cabo Verde, há quase vinte anos, foi por ter ouvido a voz de Cesária Évora, que se apoderou de mim como um furacão de alma e sentimento. Tinha acabado de chegar ao Mindelo e pela mão do músico Vasco Martins fomos a um bar de amigos, para um serão tranquilo de boa conversa. Estava sentado, distraído com uma qualquer leitura, quando aquele espaço foi invadido por uma voz única, grave, possante. O disco era o “Miss Perfumado”, o CD que haveria de catapultar Cesária para a fama internacional, por via do mercado francófono e a transformaria na maior embaixadora da história do arquipélago, hoje no mapa global muito por responsabilidade do retumbante e espantoso sucesso da sua impar carreira. No saudoso Café Royal, da mítica Rua de Lisboa, para onde ela ia quase diariamente, numa época em que ainda não tinha que viajar constantemente, com tournées que a obrigavam a ficar tão longe da sua cidade querida, a sua chegada de carro, sempre com um condutor próprio, e a entrada com os pés descalços no estabelecimento, eram dignos de um cerimonial que nunca mais esquecerei. A mesa onde se sentava Cesária ia-se enchendo e esvaziando, à medida que ela recebia amigos, familiares, conhecidos ou curiosos. Pagava bebidas a todo o mundo, dava dinheiro aos pedintes, brincava constantemente com aqueles que a rodeavam, muitos já adivinhando que ali estava uma fonte inesgotável de talento e projecção. Na sua casa, sempre tinha a porta aberta, com o mesmo espírito generoso, próprio de uma grande matriarca. Hoje, depois do choque inicial, a voz de Cesária Évora ecoa por toda a cidade do Mindelo. Nas ruas, nos cafés, nos bares, nos carros, nas vozes das pessoas. Um mendigo grita no centro histórico do Mindelo: Cesária já morrê! Hoje, Cabo Verde, é uma Nação que se curva, de pés descalços, perante a sua maior Diva." Mayra Andrade, cantora"Cize,Como na tela de um quadro, a tua voz pinta estas paisagens perdidas e os sentimentos que animam o povo das tuas ilhas. Agradeço à vida o privilégio de te ter conhecido, tu que pela tua voz nos fizeste existir perante os olhos do mundo. Sentimos terrivelmente a tua falta.Sodade, sodade, sodade..."Tito Paris, músico“Recebi a notícia com profunda tristeza. Cabo Verde fica mais pobre, da mesma forma que ficou mais rica quando ela nasceu, porque nasceu uma estrela que não se apagará, ficará sempre acesa, a brilhar através da sua música. Espero que todos os cabo-verdianos, sobretudo os mais jovens, dêem valor ao que ela nos deu; muitos não têm noção do que ela nos ofereceu. A Cesária levou-nos de uma parte do mundo para a outra, levou o nome de Cabo Verde por todo o mundo e, quando ela estava em palco, todo o cabo-verdiano estava lá com ela. Ela levou a morna, e o sorriso, e o calor do Mindelo, e ficará na nossa memória. Estamos profundamente tristes. Que descanse em paz. Todo o mundo da música ficou mais pobre, mas um artista, um poeta, nunca morre.”José Eduardo Agualusa, escritor“É uma notícia triste, embora esperada. A Cesária já não estava bem há algum tempo, mas quando a notícia chega nunca estamos preparados. O extraordinário sucesso internacional da Cesária mudou por completo a forma como a música cabo-verdiana passou a ser acolhida no mundo e, dessa forma, mudou a própria música cabo-verdiana. Mas mais do que isso, julgo que ela foi muito importante para todo o mundo da música em língua portuguesa, porque ela abriu caminhos para todas as outras culturas.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Morreu a Diva que levou Cabo Verde ao Mundo

           CABO VERDE E O MUNDO ESTÃO DE LUTO

Cantora cabo-verdiana nasceu em 1941 
 Cantora cabo-verdiana nasceu em 1941
Cesária Évora morreu neste sábado aos 70 anos, num hospital na ilha de São Vicente, na sequência de complicações cardíaco-respiratórias. A cantora cabo-verdiana é lembrada como a diva que levou a música de Cabo Verde para o mundo.

“Cabo Verde fica mais pobre, da mesma forma que ficou mais rico quando ela nasceu, porque nasceu uma estrela que não se apagará, ficará sempre acesa, a brilhar através da sua música”, afirmou o músico cabo-verdiano Tito Paris.

Ao PÚBLICO, Tito Paris lamentou ainda que “muitos [cabo-verdianos] não têm noção do que ela ofereceu” àquele país. “A Cesária levou-nos de uma parte do mundo para a outra, levou o nome de Cabo Verde por todo o mundo e quando ela estava em palco, todo o cabo-verdiano estava lá com ela. Ela levou a morna, e o sorriso, e o calor do Mindelo”.

A cantora, que nasceu em 1941, começou muito jovem a cantar em bares e hotéis, mas só em 1988, com 47 anos, gravou, em Paris, o aclamado álbum “La diva aux pied nus” – “a diva dos pés descalços ”, epíteto com que é frequentemente referida na imprensa.

Poucos anos antes, gravara já um álbum em Lisboa, mas o trabalho acabou por passar despercebido. Numa entrevista ao PÚBLICO, em 1999, Cesária mostrava algum ressentimento por isso. "[Portugal é] um grande país, tenho muitos fãs aqui, mas eu devia ter sido reconhecida aqui primeiro. Eu até ia cantar nos navios de guerra, desde o tempo colonial", disse. "Quem me ajudou foram os franceses, nem os portugueses, nem os cabo-verdianos".

Nos anos que se seguiram a “La diva aux pied nus”, Cesária Évora tornou-se numa estrela no panorama mundial da world music. Em 2009, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, atribuiu-lhe a medalha da Legião de Honra.

Foi “uma das vozes mais expressivas e originais da música mundial”, classificou esta tarde o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, numa nota de condolências. “A qualidade da sua voz era de alcance universal, e o reconhecimento internacional que obteve comprovou isso mesmo”. Um comunicado do Presidente da República, Cavaco Silva, descreve-a como uma “artista singular, que tão bem soube exprimir a cultura e a tradição musical da sua terra, muito para além das fronteiras da língua portuguesa".

O ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio Sousa, considera que "Cabo Verde perdeu uma das suas principais vozes". E acrescentou: "O legado que nos deixou certamente que suplantará a dor. A Cesária tinha uma alma que nos representava a todos. Era uma espécie de anjo da guarda de toda a gente". O Governo de Cabo Verde decretou dois dias de luto oficial.

A Assembleia Nacional cabo-verdiana também já expressou as condolências: “A diva dos pés nus morreu, mergulhando o país numa profunda dor, pois a perda é irreparável. Cabo Verde fica mais pobre com o desaparecimento físico da Cize, como ela era carinhosamente conhecida pelos cabo-verdianos”, afirmou o presidente da assembleia, Basílio Mosso Ramos, citado pelos media locais.

Cesária Évora morreu às 11h20, no Hospital Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, na sequência de complicações cardíaco-respiratórias. Em 2008, sofrera um acidente vascular-cerebral (AVC), que a afastou temporariamente dos palcos. Regressou pouco depois, com um ritmo menor de concertos. "Canto mais um tempo e depois stop!", disse ao PÚBLICO em 2009.

Em Setembro passado, anunciou o fim da carreira, por motivos de saúde.

“É uma notícia triste, embora esperada”, afirmou ao PÚBLICO o escritor José Eduardo Agualusa. “A Cesária já não estava bem há algum tempo, mas quando a notícia chega nunca estamos preparados. O extraordinário sucesso internacional da Cesária mudou por completo a forma como a música cabo-verdiana passou a ser acolhida no mundo e, dessa forma, mudou a própria música cabo-verdiana”.

Também a cantora portuguesa Lura, de ascendência cabo-verdiana, afirma que Cesária Évora “levou Cabo verde ao mundo, ao universo inteiro”.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Continente necessita de lideranças "fortes e credíveis", defende PR de Cabo Verde

Continente necessita de lideranças "fortes e credíveis", defende PR de Cabo Verde15 de Dezembro de 2011, 12:31Cidade da Praia, 15 dez (Lusa) - O Presidente de Cabo Verde considera que África necessita de "lideranças fortes e credíveis" para fazer face aos inúmeros problemas das populações, frisando que a instabilidade política e militar tem afetado o continente africano.Jorge Carlos Fonseca, ao discursar na quarta-feira à noite no encerramento da 3.ª Conferência da Iniciativa e Paz para a África Ocidental, iniciada na segunda-feira, sublinhou que sem paz não pode existir o verdadeiro desenvolvimento, o que só acontecerá se houver lideranças com uma visão de desenvolvimento.O chefe de Estado cabo-verdiano saudou os promotores do fórum, que terminou com a terceira e última edição - a primeira foi em Dacar (2009) e a segunda em Freetown (2010) -, realçando a contribuição que a iniciativa tem dado na busca de paz, sobretudo na África Ocidental.Para Jorge Carlos Fonseca, a paz e segurança são questões "demasiadamente sérias" para serem entregues apenas aos políticos e militares, razão pela qual apelou à organização dos cidadãos para exercerem uma cidadania "ativa" nesse sentido.Na intervenção, o presidente de Cabo Verde alertou, por outro lado, para o perigo da crise financeira mundial que, disse, pode ter "consequências muito graves" na região oeste-africana, em particular, e no continente, em geral."A crise é global e assume facetas múltiplas", avisou, defendendo que a situação pode condicionar o desenvolvimento de quase todo o planeta.Para o chefe de Estado cabo-verdiano, a crise é também de cariz ambiental e, apesar de a África ser o continente que menos contribui para esse desequilíbrio, é o que mais sofre as consequências.Por seu lado, o investigador e académico cabo-verdiano Corsino Tolentino considerou que "valeu a pena" a conferência, que levou à Cidade da Praia académicos, investigadores e jornalistas de vários países da África Ocidental e dos Estados Unidos para uma discussão "séria e profunda" sobre a questão da paz na região, envolvendo os métodos de resolução dos conflitos e da prevenção da guerra."Conseguimos que um terço do tempo dedicado ao debate fosse destinado a Cabo Verde", declarou Corsino Tolentino, reconhecendo que o arquipélago "estava praticamente ausente" do programa.A conferência, disse, contribuiu para um "melhor conhecimento" sobre o que se passa na região oeste-africana, em geral, e em Cabo Verde, em particular, lembrando que a capital cabo-verdiana foi recentemente palco da 27.ª reunião da Rede de Prevenção de Crises Alimentares no Sahel e África Ocidental. Instado sobre a procura de Cabo Verde para a realização destes eventos, Tolentino disse tratar-se de uma "estratégia do Governo e da sociedade civil" para promover o que é cabo-verdiano, o que ficou provado com a partilha de conhecimento e com a grande movimentação de pessoas, benéfico para a economia local.A conferência visou refletir sobre o discurso e práticas de paz na região, bem como identificar as práticas locais, nacionais e tradicionais existentes na prevenção e gestão de conflitos.JSD.Lusa/Fim

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Com a cabeça no . . . SEXO!!

Um estudo norte-americano confirmou a teoria popular de que os homens pensam mais em sexo do que as mulheres, mas não tanto como se pensava. O resultado do trabalho, que será publicado em Janeiro numa revista de sexologia, revela que enquanto os homens pensam 19 vezes ao dia em fantasias e imagens eróticas, as mulheres pensam nesses assuntos 10 vezes num dia.
Uma equipa de investigadores da Universidade do Ohio, nos EUA, reuniu 283 estudantes (163 do sexo masculino e 120 do sexo feminino) para perceber as diferenças entre os pensamento de homens e mulheres ao longo de um dia.
 
Homens pensam em sexo 19 vezes ao dia
Homens pensam mais em sexo do que as mulheres
 
Divididos em três grupos, foi pedido aos participantes que, durante uma semana, cada vez que pensassem em sexo, comida ou descanso, consoante o grupo onde estavam inseridos, activassem um contador.
O resultado, que os investigadores dizem não mostrar diferenças significativas por depender de "outras questões biológicas", mostra, ainda assim, que enquanto os homens pensam, em média, 19 vezes por dia em sexo, as mulheres apenas pensam 10 vezes.
Nos outros tipo de necessidades físicas, os homens também vão à frente do sexo oposto, pensando 18 vezes por dia em comida (15 vezes entre as mulheres) e 11 vezes (oito vezes no sexo feminino) em descanso.
Com estes resultados e através de entrevistas com os participantes, os investigadores liderados por Terri Fisher concluíram que existem diferenças entre homens em mulheres no que respeita aos pensamentos sobre sexo, comida e sono. Ainda assim, a teoria de que os homens têm pensamentos sexuais de sete em sete segundos - tese que originou a investigação - foi completamente refutada. No entanto, no estudo houve participantes com mais mais de 140 pensamentos sobre sexo num dia.